quinta-feira, 23 de abril de 2009

Histórias da nossa Terra

Histórias de Pessoas da nossa Terra



     No dia 26 de Março de 2009, a Srª Professora Lídia Valadares preparou-nos uma grande surpresa. Tivemos uma convidada, a Srª Drª Sacramento, que ocupa algum do seu tempo a escrever. Esta Senhora já está aposentada, mas continua ocupada em muitas actividades e uma delas é a escrita, que é de se lhe “tirar o chapéu”.

     A Srª Drª Sacramento disse-nos que, quando era criança, vivia na Penajóia, de onde era natural, e que ainda era do tempo em que os comboios trabalhavam a carvão. Segundo o que nos contou, quando os comboios estavam prestes a entrar no túnel, todos os passageiros tinham que fechar, imediatamente, as janelas, uma vez que, funcionando a carvão, o fumo que saía deste meio de transporte entrava para dentro das carruagens.

     Durante cerca de 45 minutos, para além de nos contar algumas peripécias, leu-nos, também, dois poemas e contou-nos uma história, tudo da sua autoria.

     Esta Senhora tem um grande talento, no que respeita à escrita. Na minha opinião, deveríamos ter muitos momentos como este, o saber nunca ocupou lugar.

     Todos nós podemos escrever livros e contar histórias, para isso, basta darmos asas à imaginação ou contar episódios da vida real.

     Eu gostei muito desta sessão do Cantinho da Leitura e espero que a próxima seja tão boa como esta e o mais rapidamente possível.


Carla Sofia, nº 5, 5º 6



Histórias partilhadas


     No dia 26 de Março, a nossa Professora Lídia Valadares levou uma convidada especial ao nosso Cantinho da Leitura. Tivemos connosco a Srª Drª Sacramento, que escreve narrativas e poemas fantásticos. Leu-nos dois poemas e um conto da sua autoria. Foi muito simpática, explicou-nos muitas coisas, à medida que lia os seus textos, e disse-nos que tinha escrito o conto “Primavera”, pensando nos seus tempos de criança, relembrando o que fazia no seu dia-a-dia, como se estivesse a escrever num diário.

     Infelizmente, quando a Srª Drª Sacramento estava a ler e a explicar a história, tocou e não pudemos ouvir o resto.

     Nós adorámos esta sessão e também adorámos a Srª Drª Sacramento. Esperemos que volte para nos ler mais textos da sua autoria e para conversar connosco.


André Magalhães, nº 2, 5º2

Diana Ribeiro, nº 6, 5º2

(Alunos do Cantinho da Leitura)

     




Uma Sessão Maravilhosa


     A Senhora Professora Lídia Valadares quis, mais uma vez, trazer um convidado ao Cantinho da Leitura e, como era de esperar, um convidado, ou melhor, uma convidada fantástica que escreve coisas maravilhosas, a Srª Drª Sacramento.

     Enquanto a Srª Drª falava daquilo que escrevera, até as paredes murmuravam entre si e discutiam sobre qual seria o mais belo dos versos, que ela e a Srª Professora declamavam, em dueto, com um sorriso aberto e fresco…

     A nossa convidada não escreve apenas poesia, também escreve contos fantásticos, inspirados na Natureza que a rodeia, na nossa região, o Douro e nas recordações da sua infância. Enquanto lia algumas das passagens do seu conto “Primavera”, eu era transportada imediatamente para um mundo maravilhoso, cheio de magia…

     Nesta sessão ainda falámos sobre o verso que considerávamos mais belo, dos poemas ouvidos, mas era muito difícil decidir, pelo menos, para mim!

     Foi uma sessão diferente e inesquecível!

Ana Rita Pereira, nº 6, 6º5


Por favor deixem-me só


Por favor,

 Deixem-me só.

Para poder saborear,

O fulgor da noite,

Das estrelas,

E do luar.


 Por favor,

 Deixem-me só,

 No cimo dos rochedos.

Para ver o mar

 E ouvir as ondas

A monologar.


Deixem-me só

Nos pinheirais,

Para escutar o vento a sibilar.


Deixem-me só,

No cimo do monte,

Para ouvir o barulho do silêncio, 

E ver a lua

A namorar a escuridão.


Por favor,

Deixem-me só,

Para poder sonhar.


                      Maria 


A PRIMAVERA


            Soaram as Ave – Marias.

            O dia clareou, e o sol conseguiu escapulir-se por entre a vaporosidade do nevoeiro. 

            Um passarinho veio pipilar ao peitoril da minha janela, qual arauto a anunciar a Primavera e o finar da letargia da Natureza.

            Ao vê-lo escancaro a vidraça da minha infância. Com o Marão a avivar-me as linhas do horizonte da memória; os rabelos a inebriarem as minhas fantasias de menina; o comboio a vapor a embalar a serenidade do meu dia a dia, rememoro as sensações que então percebi e senti:

            As camélias sorriam.

            As mimosas espreguiçavam-se pelas encostas.

            Os córregos ciciavam joviais murmúrios.

            As andorinhas instalavam-se nos beirais e os melros, com a sua batuta amarela, regiam a orquestra da passarada aguçando o apetite que saciariam quando as cerejas começassem a ruborizar.

            De onde em onde as florinhas silvestres espreitavam a medo, como que a esquivarem-se de um beijo furtivo das borboletas ou das abelhinhas.

             Os montes, até então plúmbeos, deixavam de franzir o sobrolho e cobriam-se de rosmaninho, tojo, giesta, urze e carqueja.

             Com o seu ar altaneiro, radiosos, abriam os braços parecendo querer comungar do júbilo que pairava na aldeia. Quando o sol vinha osculá-los tornavam-se ainda mais resplandecentes.

             Debruçadas nos seus socalcos doirados, as videiras começavam a vicejar.

             As crianças, de sacola a tiracolo, espinoteavam pelas azinhagas. Jogando à bola ao pião e ao arco, chegavam finalmente à “Catedral da Alfabetização”.

             Ranchos de moçoilas e efebos iam campos fora ajudar a emprenhar os novos seres que ora despontavam. Entoavam lindas canções, que a voragem do tempo inexoravelmente desvaneceu.

             A Natureza vestia o seu traje de gala para receber a Ressurreição do Senhor, era o tempo da cerejeira em flor!

             Era também tempo de Páscoa!

             Após uma semana de profundo recolhimento, meditação e introspecção, por fim dealbava o Sábado de Aleluia, com os sinos a repicarem e os foguetes a troarem no ar, aquém e além Doiro, anunciando-nos que Jesus Cristo havia Ressuscitado, libertando-nos para sempre dos grilhões da morte e do pecado.

             No Domingo de Páscoa, com as nossas almas e os nossos corpos isentos de mácula, lá íamos logo pela manhã à missa para receber Jesus Renovado. 

                   Pela aldeia entoava o tilintar da campainha que acompanhava o senhor Padre (com a sua sotaina preta, orlada de branco e tricórnio na cabeça) e os acólitos, com opas brancas e vermelhas, na Visita Pascal.

             Por atalhos e vielas, quais rosas saltitantes, lá iam de casa em casa levar a Cruz a beijar.

             Rebuscavam-se nas arcas de couro ou de madeira as toalhas de linho, impregnadas de tomilho e alfazema, para serem colocadas na mesa onde iria ser recebido o compasso.

             Todas as casas, mesmo as mais humildes, cheiravam a cera e a lavado.

             A fragrância do alecrim, glicínia, jasmim e limonete, misturava-se com o cheiro do cabrito assado, no forno a lenha, e da canela que ornava as prateiras de aletria.

             Pairava no ar uma apetitosa e odorífera mistura, que o tempo não conseguiu dissipar da minha memória.

             A Natureza, com as suas vestes multicolores, extravasava de eupatia e irrequietude fazendo lembrar a meninice, de laço na cabeça e bibe vaporoso, a esvoaçar sobre as searas ondeantes salpicadas de papoilas.


Maria 


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